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sábado, 17 de dezembro de 2011

Todos menos eu



A banda O GABBA é originalmente de Patos de Minas-MG, surgiu no final dos anos 90 e tem na veia o rock.O vocalista Rubinho Gabba mudou-se para Brasília e por lá fez novas parcerias, como nessa música ao lado de Franco Levine. O Gabba possui composições próprias de altas críticas e reflexões, além de ritmos contagiantes e de roupagem moderna.Particularmente, essa banda foi por vários momentos minha trilha sonora . Devido à proximidade da minha cidade, a banda fazia muitos shows por lá e acabava por sempre estar em momentos importantes da minha vida. Sou fã demais! 
Por hoje, mostro a música "Todos menos eu" que fala sobre o amor. Vale a pena demais prestar atenção à letra que é lindíssima. Perfeita!




Todos menos eu

O Gabba

Um sentimento é feito chuva que cai
Sobre a sua cabeça por onde você vai
É como um frio que vem de dentro
Quando a pele descobre que pele quer tocar

Um sentimento é muitas vezes mais
Que muitas vezes o mesmo pensar
Querer continuar o mesmo sonho
Do mesmo ponto quando acordar

E pensar o tempo todo a mesma coisa
Pra não chegar a conclusão nenhuma
É funcionar a meia fase
É ser feliz pela metade

É isso mesmo que eu sinto por você
Metade justa do que eu sinto por nós
Um terço do que não tem mais sentido
Um quarto de um quarto de um quarto vazio

Eu tenho um milhão de conhecidos
Me parecem que no mundo todos sofrem por amor
Agora eu não
Só sofro a falta que você me faz

Amor, ainda tenho o meu
Pra dar e vender ou pra chamar de próprio ou do que eu quiser chamar meu bem
Amor, o sentimento é um desejo
Que você jamais desejaria pra não realizar

É isso mesmo que eu sinto por você
Metade justa do que eu sinto por nós
Um terço do que não tem mais sentido
Um quarto de um quarto de um quarto vazio

Eu tenho um milhão de conhecidos
Me parecem que no mundo todos sofrem por amor
Agora eu não
Só sofro a falta que você me faz

sábado, 3 de dezembro de 2011

Tire


            Tire logo essa carência que me toma, a solidão que me entorpece e boemia que me envaidece quanto tento preencher vãos...
            Tire minha paz e me devolva a inquietação que os começos trazem.
            Tire minha disponibilidade. Tire a minha previsibilidade em aceitar minhas novas rotinas.
            Tire minha impaciência! Tire minha desconfiança! Tire minhas dúvidas.
            Tire a armadura que me protege.
            Tire meu fôlego.
            Mas atenção: só tire minhas companhias se estiver a fim de ocupar o lugar delas.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sobre perder tempo...

Exupéry foi feliz ao afirmar que: "É o tempo que perdemos com alguém, que
torna esse alguém importante pra nossa vida!"

...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O x da questão!


      Cruze um horizonte com alguém. Pronto, a partir daí é possível um relacionamento sólido.
O amor não vai acabar, mas o motivo que os uniu pode desaparecer, caso não estejam próximos ou os objetivos não estejam tão estreitos. No fim é só uma questão de política. Estratégias, negociações, concessões e até conveniência.Esqueça o sonho, a ilusão. No fim, o que determina o sucesso são os destinos em pararelo, as vidas lado a lado e as possibilidades reais. No fim, o que vale são os sonhos que se cruzam e entrelaçam em um só.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Do aprendizado que restou...


        Em momentos de desespero me culpei ao extremo por desconfiar que o aprendizado, obtido das decepções, não serviu para evitar que outras acontecessem.
        O fato é que todas as experiências agregaram lições. É certo que elas me deixaram menos romântica e mais racional, também pudera!
         Mas sinceramente não consigo ver em que momento elas impediram alguma nova precipitação ou outra falha.
        Analisando o saldo, retiro minhas reclamações e espero que haja prematuridade nas minhas conclusões. Escolho acertar todos os futuros testes.. Espero...


sábado, 29 de outubro de 2011

Quem ri por último...




Sempre fica aquele amargo na boca, aquele fel disseminando mais e mais diante de algo desagradável.  Difícil descobrir que um sentimento, o qual você despejou mil cuidados, agora é maltratado na sarjeta da vida. Com certeza, um grande desgosto!
E se não bastasse, você descobre que virou motivo para chacota...comentários ácidos, julgamentos azedos, risadas picantes. Terríveis dissabores!
Há pessoas azedas, salgadas e amargas que, infelizmente, não creditam sentimentos doces. Acham mais prático zombar, fazer piadinha e blá-blá-blá. Mesmo sem saber disso, no fim das contas é só uma forma de fuga, vai por mim. Faça-me o sabor!
Têm medo dos temperos inusitados e das sensações que não podem controlar.
Como li em um texto do Arnaldo Jabour, ficam de “namorix” por aí e acham que isso vão saciá-los a vida toda, deixam o "amor" para um amanhã quem nunca chega. Acham mais conveniente isentar dessa responsabilidade de busca, de erros e acertos. Optam pelo caminho insípido e acham piada quem não segue a mesma filosofia de mau gosto. Às vezes salpicam um sal e tentam inutilmente burlar suas escolhas. Mas nunca açucaram seus dias. Acham sempre que doce enjoa e que dele nunca vão provar. Podem até acreditar nisso e continuar suas insossas vidas, sem maiores degustamentos.
Talvez em algum dia sem sal nem manteiga, sintam falta de sabores nunca experimentados ou até mesmo ignorados e cobicem sentir o que um paladar forçadamente saturado achou melhor não degustar.  E pra quem não conhece o doce, salgado, amargo e azedo, a vida é muito sem graça...
O gourmet não perdoa. Nunca mesmo.
Ai, eu de cá, bem resolvida com o que um dia amargou, vou olhar docemente para seus olhos inexpressivos e rir! E rirei melhor, bem melhor!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ciclo




             Você me despreza e desaparece. Faço de conta que não me importo, que não faz mal. Até chego a proferir tais palavras.
             Não quero assumir meus sentimentos e te assustar, mas acabo me assustando ao entrar nesse joguinho de fingir o que não sinto.
             Pra não fazer besteira te desprezo e desapareço. Ai você faz de conta que não se importa, que não faz mal. Só que no domingo à noite você se arrepende e diz ter saudades.
             Diante disso, abandono meus sobressaltos e me entrego novamente. Só até você me desprezar e desaparecer novamente...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vício


"Não posso mais roer os nervos enquanto as horas passam e você não aparece. Preciso me poupar.Nem mais pretendo sofrer, depois, quando você sumir de vez. Sofrer por amor é pura vaidade.Vou olhar para retratos meus e, de novo, sentirei orgulho de mim. Fotos minhas antes de você.Quando eu ainda não tinha provado desse seu veneno vicioso. Da saliva que se fez heroína.Do cheiro que se fez lança-perfume."


Fernanda Young

sábado, 15 de outubro de 2011

Definitivo




Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Desvende-me



           Tirei as vendas, abri os olhos e sol batia no meu rosto. Fui invadida pelo pensamento de que acordei para cultivar bons hábitos, tomar aquele cafezinho com a família, brincar com o bichinho de estimação... Ou seja, dar atenção a esses pequenos deleites que nos fazem explodir de alegria e paz interior.
Entendi que nossa complexidade humana ainda ofusca essa simplicidade e nos faz perdidos em labirintos sombrios. Logo naquele instante que você poderia contemplar momentos sutis e encantadores... Desfrutar e valorizar todos eles. Logo quando não existe nenhuma preocupação com P maiúsculo. Mas antes que você caia na real, já surgiram novas preocupações que te apunhalam do momento que acorda até a hora que consegue fechar os olhos. Ai fica fácil constatar que era feliz e não sabia.
Basta! O jeito é ser feliz e saber que está!  Mesmo que aquele amor de conto de fadas ainda não tenha surgido, mesmo que aquela promoção no emprego não tenha despontado, mesmo que aquele reencontro ainda demore alguns ‘X’ no calendário. É bom viver na expectativa. É bom viver só de momentos. É bom esperar por uma pessoa que mude sua vida ao comprar pão. É bom esperar por vizinhos novos e charmosos. É bom esperar a semana se arrastar até o dia daquela viagem. É bom esperar o feriado para poder ficar relax com o namorado. Tudo isso é bom!  Ou seja, ter metas, almejar por algo que faça aquele dia de estudos intermináveis ficar menos chato, algo que faça aquele momento de carimbar e grampear menos mecânico. Algo que faça a quinta-feira ter cara de sexta. Que faça o doce ser sempre chocolate, que faça a leitura ser mais entretida, que faça os pensamentos amenos... Enfim, que faça as vendas serem rasgadas e um novo olhar sobre a vida nascer...

domingo, 14 de agosto de 2011

Vertical, cinza e impessoal




Vertical.
Cinza.
Impessoal.
Essa é a visão que tenho de um domingo de garoa, solitário e sem distrações. Milhas e milhas distante de um aconchegante e caloroso lar. E tudo que  parece importar nesse momento é que todo mundo é uma ilha, como já dizia Humberto Gessinger.
Ilhas verticais, cinzas e impessoais.
Não há troca, não há diálogos, não há calor humano. Tudo o que me resta são inúmeros prédios, um céu nublado e vizinhos que ainda não conheço (e talvez nunca conheça mesmo).
Ou coloro esses rascunhos ou me entrego ao vertical, cinza e impessoal. Enquanto isso, olhar a chuva me basta...



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Dance...

Ai, esse nosso apego a tudo que ficou para trás é intrigante. Quando uma relação termina temos que aprender a lidar com a coreografia das ausências e, ao mesmo tempo, com a falta de perspectiva para novas apresentações.  Pior quando a vida nos coloca na ponta dos pés e nos cobra um desprendimento do que ficou. Ai tudo fica tenso e todos aqueles movimentos deslizantes desaparecem, visto que nosso apego era forte com as vibrações  que aquela  pessoa nos trazia e mais ainda com o espetáculo de vida que tínhamos. Por mais que queiramos nos desprender é mais fácil o contrário. Isso porque bate um desânimo em enfrentar uma nova fase de solidão nos ensaios  e começar outra vez todo aquele alongamento. De certa forma é  tão mais fácil continuar o que tínhamos, continuar os passos hipnotizantes e fascinantes que sabíamos.
Simples. Queríamos apenas nos encolher e guardar a lembrancinha da época boa que vivemos, guardar aquela sensação, aquela melodia. Queríamos de volta o que tínhamos, a alegria que esbanjávamos, a energia que nos impulsionava, o ritmo que nos eletrizava. Mesmo assim sabemos que é preciso nos livrar da confusão que os rodopios da dor nos causaram, lembrar que aquele par (aquele mesmo) não é mais envolvente. Lembrar que o mundo continuou seu ciclo, seus ensaios e shows. As pessoas continuaram suas rotinas, o sol não se apagou, as flores desabrocharam, as crianças seguiram para o circo... O mundo não parou seu compasso para fazer nosso cenário de dor e nem nossa trilha melancólica. E no fim, só dói quando desejamos nos inclinar, ou seja quando pensamos, quando ficamos lembrando e remoendo.Só dói quando cutucamos nossos calos . Então decidimos não mexer e seguir a dança, sem nos apegar demais ao par e ao baile de ontem. Afinal, todo dia tem uma dança nova. E  quer saber, ultimamente andamos mais para balada onde se dança só!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Calma, calma



Tudo o que eu pedia era que o tempo desacelerasse… Mas ele nunca ouvia. Afinal ele nunca ouve mesmo. Seguiu implacável e permitiu que mais atropelos acontecessem.
Às vezes até cheguei a enxergar o que acontecia, mas não tive tempo para parar e assimilar tudo aquilo. E simplesmente continuei. A falta de reflexão sobre o assunto fez com que eu  apenas andasse. No meio do caminho, tropecei. Também desastrada que sou, nada mais normal. A pressa sempre faz isso.
E quando a poeira abaixou? Percebi que estava certa. Mas ficaram indagações... Em que momento deixei de acreditar na minha intuição? Em que momento fiquei surda para seus conselhos? Em que momento foi mais fácil ignorar toda essa informação? Não dá pra saber. A sucessão de fatos naquela época não permitiu que assimilasse todos os fatos e que organizasse todos eles numa ordem lógica. Não me permitiu enxergar o contexto. Não me permitiu  apenas... parar.
Deixei os rastros para trás...Curei meus pés cansados e, simplesmente, parei!
Agora a calma que tanto desejei bateu à minha porta. Chegou meio atrasada porque omiti o caminho...
Mas agora eu a recebi com toda hospitalidade possível de um bom anfitrião . E não quero que ela vá embora tão cedo. Essa visita é bem vinda...Pode entrar, Calma!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Lógica cronológica


" Sentir primeiro, falar depois. Pensar primeiro, agir depois."
É bom respeitar essa ordem cronológica de Mário Quintana porque quando você tenta atropelar isso, acaba por se precipitar, banalizar sentimentos e sofrer as consequências do seu ato. É tudo lógica!
E não adianta alguém te falar a fórmula ou você ler num guia de auto-ajuda. Parece que esse tipo de coisa, só se entende quando é vivenciado. Portanto, quando chega nossa vez, sempre estamos diante de uma situação que não sabemos como agir.
A esperança é usar experiências anteriores como base, lembrar do conselho  e tentar seguir essa lógica.
Tentar..

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Melhor não saber...




           A ignorância, para a via geral de conversa, é algo depreciativo. Não ter conhecimento sobre isso ou aquilo não é bem aceito. No entanto, pensando bem ela às vezes é algo benéfico visto que certas situações é melhor não saber. Dando força ao clichê e concordando profundamente: " o que os olhos não vêem, o coração não sente". Se é assim, é melhor não saber!
            Saber detalhes extras de um passado, por exemplo. Isso só vai fazer com que uma história imutável seja remexida e muitas vezes, piorada. Então, melhor não saber.
            Saber quem relacionava anteriormente com o seu parceiro gera comparações ilógicas com essa pessoa. Como comparar pessoas tão complexas? Não tem como, cada pessoa é um conjunto de peculiaridades, de crenças, histórias, experiências e tem uma beleza que é só dela. Tentar fazer isso, consequentemente, gera insegurança. Ficar sabendo é travar uma guerra com seu cérebro e vê-lo vencer batalha após batalha ao trazer à tona um nome, uma roupa, uma característica, um curso, uma palavra, etc. É vê-lo incessantemente trazer pensamentos indesejados e remoer coisas que 1 segundo  atrás você  se proibiu de pensar. É servir como seu próprio inimigo. Então, melhor não saber!
            Saber como anda a vida de uma pessoa que resolveu seguir sem você. Apesar de desejarmos a felicidade, o bem acima de tudo desse ser, ainda assim é melhor não saber.
            Saber um segredo e não poder fazer nada diante de alguma situação. Sentir-se tão impotente não é de Deus! Então, melhor não saber.
            Saber que as pessoas nem de perto são aquilo que você pensava e decepcionar dia-a-dia. Melhor não saber!
Saber que te resumem à sua aparência, julgam por apenas um erro e te rotulam com apenas uma palavra. Melhor não saber!
Saber que café vicia, saber que comer chocolate todo dia engorda, saber que tal doença destrói sua qualidade de vida, saber que você dorme de exaustão após chorar muito, saber o final do filme antes da hora... melhor não saber!
Eu prefiro viver ignorante quanto à existência de pessoas que não têm nada a oferecer, viver ignorante quanto ao rumo do que nunca me pertenceu, desconhecer um pretérito perfeito. Prefiro o incomparável, prefiro não ser resumida a um conceito insolente. Enfim, por isso e por tantos outros motivos, é melhor não saber.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Dias sim, dias não




“Dias sim, dias não eu vou sobrevivendo sem nem um arranhão”. Acordei meio assim hoje. Remoendo e, ao mesmo tempo, desatando os nós existentes em alguns assuntos. Às vezes não é fácil chegar à conclusão de que tudo tem seu devido tempo. Muitas vezes é revoltante ouvir que tudo vai passar, para ter paciência e esperar que o tempo mostre um contexto global! Afinal, somos pessoas que visamos resultados imediatos já que existimos na era em que a correria rege nossa qualidade de vida, infelizmente em todos os âmbitos (amoroso, familiar, profissional). Olhar para o céu a procura de alguma divindade que te faça entender isso é pedir demais? É pedir demais sim. É pedir para se ver longe daquela situação que te enclausurou nessa cela de sentimentos e pensamentos ruins. É pedir mais ainda quando não depende diretamente da gente, o que é um pouco contraditório já que, independente da situação, sempre temos domínio sobre como reagir diante de tal acontecimento. Afinal, Carlos Drummond já dizia que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. E essa fase de “mascar o chiclete” do sofrimento até perder o gosto só pode ser feito unicamente por nós. Não há ninguém que possa segurar as pontas para você, justamente naquele momento mais crítico. Mas sempre tem gente reciclando o passado e nos oferendo conselhos. Dependendo dos quão obscuros estiverem nossos pensamentos, nem compreendemos que quem fala isso tem um certa razão.  Esses conselhos simples geralmente tem eficácia, mesmo assim é comum descartar após ouvir porque sempre achamos que somos superiores à situação e que temos uma maneira mais adequada para o momento.
É extremamente útil conversar e conviver com pessoas que optam por não remoer sentimentos ruins, não tentar recauchutar relacionamentos perdidos, nem tentar ter esperança de que algumas pessoas ainda possam ter salvação (conclusão do século: existe gente pior do que um dia imaginei). Enfim, conviver com pessoas que vivem só de momentos onde a vida nunca cansa. Acredito que tentar ver os acontecimentos sob essa ótica é imensamente proveitoso. Abandonar aquela visão sombria e perceber que aquilo só existe quando você pensa, quando você dá dimensão para o problema. E quando menos você dá vazão para essa memória, melhor. Quando menos você rega essa erva daninha, melhor. Mas veja bem não estou falando de ignorar os fatos, fingir que nunca vivenciou esses infortúnios. Estou falando é de deixar para lá o que não vai mais servir, renovar e renascer em si mesmo. Até porque é muito ruim ouvir as mesmas lamentações, os mesmo desabafos e etc. Não há ouvido de amigo que agüente. Muitas mágoas que povoam nossos pensamentos só existem porque recordamos. O tempo já fez apagar a memória do agressor há tempos. É o típico: só lembra quem apanha. Ou seja, para que perder tempo e energia pensando em bobagens, em pessoas que foram desagradáveis e mesquinhas, enquanto você poderia estar fazendo algo de útil pra você mesmo? A fase de pensar no outro já passou, deu bye-bye  faz tempo.  Portanto, vamos ser egoístas mesmo, nesse ponto é permitido e recomendado.
E por pior que seja a história, ela sempre teve o seu lado bom. Não há ninguém que possa mudar os momentos bons que vivemos, as lembranças boas que ficaram, os sentimentos que descobrimos. Quem somos nós para negar? O que marcou, ficou. Ponto e pronto!  Não são palavras desesperadas e venenosas de um qualquer que vão diminuir isso. Nem é um tom crítico que vai conseguir mudar os fatos. Sorry! Isso ninguém nos tira, então resta a eles a frustração. Não adianta inventar, insinuar ou contar fatos desnecessários. O passado é imutável e ninguém tira o que ficou de bom. Então, vamos saborear o que tinha um gosto bom. Vamos esquecer esse gosto amargo que permaneceu...
E vamos ser sinceros, nem sempre somos vítimas. Particularmente, assumo minha culpa muitas vezes porque soube manipular também. Tenho muita sutileza ao exercitar meu “controladorismo”, digamos assim. E no fundo sabia o que acontecia do outro lado e de coitada nunca tive nada. Fato!
Sendo assim, posso viver mil anos que isso ficará guardado naquele espaço e tempo de forma única. E como tudo é relativo, muitas vezes o que hoje é definitivo amanhã pode não ser, nem convém achar que tudo fica restrito a um pretérito perfeito. Somos humanos, vulgo seres imperfeitos, nossas ações refletem isso o tempo todo. Então, vamos deixar uma lacuna aberta para esse pretérito imperfeito.  O futuro está ai para isso: surpreender quando achamos que perdemos essa capacidade. E aproveitando a deixa, fica o recado: vou sobrevivendo sem nem um arranhão...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Será que você era tudo mesmo que me faltava?



Algumas perguntas nos trazem mais entendimentos do que respostas...
E partindo desse pressuposto me faço algumas indagações, recorro a algumas lembranças e entendo que superestimei muito um relacionamento. Não que tenha faltado sentimento, mas é que ainda é preciso reconhecer que circunstâncias temporais e espaciais influenciaram e determinaram o futuro dessa relação. Somado a isso, apareceram adversidades que ofuscaram o que antes tinha brilho próprio.
Ao término, adicionaram-se doses de desespero, tristeza, frustração. Resultado? Um coquetel de sofrimento, que após uma noite de excessos, apareceu na forma de uma ressaca que dóia, que martelava ainda mais a rejeição.
Por inúmeras vezes o suspiro foi mais forte do que esperava, o que tornava minha respiração mais dolorosa. Por muitas vezes vi uma fonte de lágrimas salgadas brotar no meu rosto e molhar meu travesseiro. Por incontáveis vezes me vi remoendo todos os episódios, tentando enxergar algo bom nessa série e alugando os ouvidos disponíveis para meus desabafos piegas . Por excessivas vezes me peguei pensando que não veria aquele olhar de menino a me encarar, que não sorveria mais aqueles sorrisos inocentes e nem desfrutaria daqueles toques intensos nem dos carinhos mais doces.
O tempo tic-tacou muitas vezes e ai a vida me surpreendeu...  Meia dúzia de palavras foi oferecida por alguém de filosofia diferente e pronto! Recobrei minha consciência, recoloquei meus óculos, limpei a maquiagem borrada e me levantei. Falando assim foi simples, mas na verdade isso fez parte do meu processo de luto.
De repente me vi acostumada com aquela ausência, me vi aceitando minhas novas possibilidades. Vejam bem, aceitei, mas não esqueci...
Parei de sonhar com aquele abraço apertado e aquele beijo... e percebi que esse jejum tornou-se comum.
A realidade teve uma reviravolta e me ofereceu inúmeras opções, mesmo assim recusei algumas. Afinal, eu aceitei, mas não esqueci...
Pra que chorar se eu sabia que depois eu iria sorrir? Ressaltar uma dor que a cada minuto perdia mais o sentido? Ah não, nesses momentos, intimamente e discretamente, sorria para as portas, paredes e janelas. Um sorriso explodia a cada vez que percebia que eu estava mais forte. A paz invadia meu coração e me deixava leve.
E sozinha deixei vivo aquele sentimento, deixei ele me amparar, me fazer companhia nos momentos de solidão e apertar minha mão quando sentia medo.
Dessa vez reduzi minhas expectativas e não esperei nada em troca.
Agora me falem, como eu nego algo que no fundo me trouxe coisas boas? Como achar um erro ter conhecido alguém quando pior seria, se não o tivesse feito? 
Retóricas feitas e chego à mais uma pergunta:  Será que você era tudo mesmo que me faltava?
Senti ausências, desesperos, vazios imensos, mas passou... O que antes faltava agora pode se exceder. Será possível uma complementação momentânea? Ou será que ela nunca existiu? Será que o gostei mesmo ou gostei mais do fato de gostar? Será que se soubesse claramente o que sentia por mim, o que eu era e o que significaria iria ser diferente?
Será que faltou falar o que você pensava e, da minha parte, fazer o mesmo?
Ou será que não sei responder nada disso porque enfim aceitei que certas coisas não cabem a mim? Basta. Encontrei minha resposta.




segunda-feira, 23 de maio de 2011

Se não era amor, era da mesma família...



"Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando a pé pra casa, avariada.
Eu sei,não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu Não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória,sem sequelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR”

Matha Medeiros, em Divã

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Nem tudo que reluz é ouro



Chegar ao ponto de distorcer a percepção dos sentimentos é demais.... Não é nada!!!
Realmente é confuso. Isso acontece o tempo todo. O ato de iludir-se é frequente. Que atire a primeira pedra quem sempre foi impecável!
Nascemos, crescemos e iludimos... A verdade é que a partir do momento que nos entendemos por gente, a tendência é errar, julgar mal e iludir-se.
Tão logo exemplificar com um relacionamento. Quantas vezes elevamos um fato, fazendo dele extremamente bom ou ruim? Cuidado! Esse fato pode estar embasado numa ilusão. Será que era tão bom assim? Será que o protagonista do término foi o desgaste? Será que esse amor era tão grande mesmo para não superar isso? Será que era para tanto sofrer de tal forma? O pior foi perder o sentimento ou destruir a ilusão?
O ciclo do ilusionismo segue um padrão. Primeiro: iludir-se achando que o príncipe, o bom moço, o genro que toda sogra desejou bateu à sua porta. E depois ficar presa à ilusão de que ele é a solução de todos seus problemas, a cura de todas as feridas e o único capaz de te dar um "feliz para sempre". Segundo: cegar ao ponto de acreditar que o máximo que pode abalar o relacionamento seja uma briguinha por uma ou outra explosão de ciúmes, achar que não há ninguém para ameaçar seu posto de namorada, que ele sempre vai voltar e tal. Terceiro: nutrir a ilusão de que vive num mundinho perfeito, o qual não existe sem ele, funcionando quase como um vício. A maioria permanece nesse ciclo de ilusionismo por tempo suficiente para a decepção ser ainda mais devastadora.
Cabe sempre refletir, será que é mesmo tudo o que pensei? Será que superestimei o quanto real era? Cabe sempre questionar, tentar sair da visão do que queremos  e entrar na visão realista do que temos. Quem sabe assim seja possível descobrir antes que o mal seja feito de que nem tudo o reluz é ouro.


Obs. Aviso

domingo, 10 de abril de 2011

Vamos fugir?



 Às vezes num domingo tedioso tudo que nos resta é desejar o mesmo que  Lya Luft nesse trecho:

"A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada."

E então, vamos fugir para essa "ilha de contemplação"?