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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Ideal

"O que ocorre exatamente, você está erguendo ou demolindo um ideal?", talvez me perguntem... Mas nunca se perguntaram realmente a si mesmos quanto custou nesse mundo a construção de cada ideal? Quanta realidade teve de ser denegrida e negada, quanta mentira teve de ser santificada, quanta consciência transtornada, quanto "Deus" sacrificado? Para se erigir um santuário, é preciso antes destruir um santuário: esta é a lei - mostrem-me um caso em que ela não foi cumprida!... [...] Já por tempo demais o homem considerou suas propensões naturais com "olhar ruim", de tal modo que elas nele se irmanaram com a "má consciência". Uma tentativa inversa é em si possível - mas quem é forte o bastante para isso? [...] Para aquele fim seria preciso uma outra espécie de espíritos fortalecidos por guerras e vitórias, para os quais a conquista, o perigo e a dor se tornaram até mesmo necessidade; [...] Algum dia, porém, num tempo mais forte do que esse presente murcho, inseguro de si mesmo, ele virá, o homem redentor, o homem do grande amor e do grande desprezo [...] Esse homem do futuro, que nos salvará não só do ideal vigente, como daquilo que dele forçosamente nasceria, do grande nojo, da vontade de nada, do niilismo [...] esse anticristão e antiniilista, esse vencedor de Deus e do nada - ele tem que vir um dia..."

Nietzsche, em Genealogia da Moral.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Canção de nuvem e vento

Medo da nuvem
Medo Medo
Medo da nuvem que vai crescendo
Que vai se abrindo
Que não se sabe
O que vai saindo
Medo da nuvem Nuvem Nuvem
Medo do vento
Medo Medo
Medo do vento que vai ventando
Que vai falando
Que não se sabe
O que vai dizendo
Medo do vento Vento Vento
Medo do gesto
Mudo
Medo da fala
Surda
Que vai movendo
Que vai dizendo
Que não se sabe...
Que bem se sabe
Que tudo é nuvem que tudo é vento
Nuvem e vento Vento Vento!
Mario Quintana

domingo, 18 de dezembro de 2011

Mulher má


           Em uma conversa entre amigos, me vi surpreendida com uma declaração. Entre os presentes, um cara disse que os homens só  lembram das mulheres más. Um outro cara disse que  até se lembrava das mulheres boazinhas, mais isso só  porque essas deram um fora nele, o que automaticamente as elevou à categoria de mulheres más.
          É meio cruel pensar assim, mas pior ainda é perceber que essa declaração tem um pouco de veracidade embutida...Isso é um rótulo, portanto generaliza muito a idéia. O interessante é pensar  até que ponto a boazinha não é sinônimo de submissa?
          Talvez esses homens estejam referindo ao fato de muitas mulheres perderem a confiança e auto-estima quando estão em um relacionamento amoroso. E por tentar agradar tanto o parceiro, acabam por perder a personalidade, acabam por sempre desempenhar um papel de coadjuvante. Nessa relação não há troca ou  crescimento mútuo. Essas mulheres de tão amenas e previsíveis não impõem respeito. Não oferecem desafios. Enjoam.
          E falo isso baseada em inúmeros exemplos que provam essa teoria. Um chilique e uma “pegação de pé” eventual nunca impediram um homem de continuar com uma mulher, pelo contrário, até ofereceram um certo desafio, o que manteve o interesse acesso.
           A mulher boazinha demais entrega nas mãos desse homem um poder muito grande. O poder de decidir se ela vai ser feliz ou não. Ouve cada desejo do seu amado e tenta se transformar na mulher dos sonhos, na mulher maravilha. É ingênua e confia ao extremo, se entrega por completo. Faz isso porque deseja receber de volta esse investimento. Quer manter o relacionamento a qualquer custo e acaba passando por cima de suas verdades, suas opiniões e anseios.
          Já a mulher má nunca desempenha mais atenção ao outro do que a si mesma. Não força a ser a mulher perfeita,  a mulher ideal para aquele homem só para mantê-lo no relacionamento. Curte o momento. E faz isso não porque leu num livro de auto-ajuda ou por estar num joguinho fingindo ser durona, e sim porque aprendeu com a vida. Aprendeu que o único lugar que o 2 vem antes do 1 é no dicionário.Sabe que amores vêm e vão e se o atual tiver que ficar é porque realmente gostou do jeito dela.
         Então, diria que ser má é bom! Melhor dizendo, não é ser má e aprontar com o parceiro. É apenas não forçar a ser a boazinha. Com certeza isso fica soa melhor na prática, então borá lá. Muahahaha!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Indivisíveis



O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedra que havia num terreno baldio entre as nossas casas. Falávamos de coisas bobas, isto é, que a gente grande achava bobas. Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos. Crianças... Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos, a não ser o azul imenso dos olhos dela, olhos que eu não encontrava em ninguém mais, nem no cachorro e no gato da casa, que apenas tinham a mesma fidelidade sem compromisso e a mesma animal - ou celestial - inocência. Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu. Não importava as coisas bobas que disséssemos. Éramos um desejo de estar perto, tão perto, que não havia ali apenas duas encantadoras criaturas, mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra, enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida...

Mario Quintana

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O amor é felicidade


"Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).

O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.


A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.


Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.


Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.


A felicidade é amor, só isto.

Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar."
Hermann Hesse
Lindas palavras, lindas reflexões...
Perfeito!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Apenas mais um de amor...




         Seria achar um companheiro uma questão de sorte, destino, merecimento ou percepção? Será que todo mundo tem mesmo a obrigação de encontrar esse grande amor, essa tampa da panela? Será que falta astúcia para reconhecê-lo? Ou por medo as pessoas simplesmente deixam passar a oportunidade?
          Eu não sei, mas gostaria muito de ter essas respostas. “Se fosse fácil achar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim”, cantou Humberto Gessinger. Acho que se tivéssemos a certeza de estar no caminho certo, nossa busca não seria tão sofrida porque saberíamos que a recompensa viria. Quando se trata da vida real é muito arriscado garantir que o sofrimento de hoje é só um preparo para o mar de rosas que se aproxima. Enquanto isso tenta-se viver em paz com a questão.
Vejo muitas pessoas se martirizando ao achar que não encontram o par ideal por falta de merecimento ou por azar e até mesmo por não se tratar do destino! Essa frustração é inútil! Como disse, ninguém sabe a resposta. Ficar na defensiva, acumular insucesso sentimental, comprar historinhas de final feliz para alimentar uma utopia, nutrir um amor idealizado, ter uma visão imediatista e agir por impulso não são medidas eficientes para encontrar a cara metade.
            Embora não exista muita aceitação em ficar sozinho, às vezes o que se teme é o  que mais se precisa. A expectativa é tanta que a ansiedade comanda em muitos momentos. Atropelos seguidos de precipitações acontecem em dadas situações.  Para fugir desse destino muitos se submetem a relacionamentos precipitados e não “tão sinceros” a fim de um status, uma fachada, uma ilusão. Enfim, banalizam o “eu te amo” a troco de um status numa rede social. Saber que aquela pessoa não é a detentora de seus sentimentos mais sinceros e, mesmo assim investir na relação é cruel já que, de certa forma, impede que uma pessoa certa apareça para você e para seu companheiro.
          O problema maior talvez resida no fato de seguir uma padronização imposta pela sociedade. Afinal, muitos amigos vivenciando romances, retratações a todos os momentos em filmes, novelas e livros, além de infinitas músicas cantando o mesmo tema.  Querendo ou não você sofre uma pressão e é quase obrigatório encontrar alguém para te incluir no mundinho dos que “amam”... No entanto, forçar a se igualar a uma maioria que já teve esse encontro é ir contra a natureza.  É criar carências após expectativas frustradas. É amargar a esperança com decepções cada vez mais frequentes. Cada um terá seu tempo, pelo menos espera-se isso. Não há quem possa garantir que você vai ter a oportunidade ou não. Enquanto isso fazer de si um lugar habitável é importante.
Tirando a pieguice de lado, pensem o quanto é bom ter uma pessoa ao seu lado que faça seu conto de fadas mais real. Um amor que não se resuma à apenas verbalizações. Saber-se amado e sentir-se como tal.  Sentir admiração,  ter zelo, valorizar e dedicar-se ao outro traz uma alegria plena, um estado de bem-estar inigualável. Alguém que te faça rir, que faça ter vontade de compartilhar coisas banais e intimidades, que te aceite como é, desperte paixão e ainda mantenha nas entrelinhas o compromisso. Aceitar defeitos, ceder em prol da relação. Dividir. Multiplicar. Somar.  Aprender a ver a vida sem pretensões de nada perfeito e irreal, apenas amor de pé no chão. Saber que alguns príncipes são sapos e saber enxergar que a imperfeição é o que faz aquilo ser tão especial e único... 
Correr atrás de amores platônicos e idealizados, de sombras fugitivas e pessoas perfeitas só afasta mais o objetivo principal. Não se busca a perfeição no outro quando você mesmo não é nada disso. Fazer isso é fechar os olhos para o mundo real. Desejar a pessoa perfeita não vai fazê-la aparecer. E forçar o imperfeito a parecer com esse ser inatingível também não é saudável nem traz resultados. No fundo são só pessoas, quase um sinônimo de falha. 
  Não acho que seja uma questão de predestinação, acaso ou merecimento. Os privilegiados nada têm de diferente, aparentemente. Talvez a única diferença resida no fato de que eles enxergam além do visível, ou seja, em algum momento tiveram percepção. A frustração de alguns se resume à mera falta de aceitação,  falta de enxergar um amor em potencial que está bem ao lado. Nunca se sabe onde se pode encontrar o parceiro ideal. A faculdade, o supermercado, o bar, o trabalho ou a academia são algumas das opções. Estar aberto a conversar com estranhos e a conhecer novas pessoas é o primeiro passo. É preciso disposição para entrar no mercado sentimental, não desista!
            Quem disse que o encontro seria cinematográfico? A vida não tem o roteiro de um filme romântico onde você, ao esbarrar com alguém na rua, percebe imediatamente que é a pessoa certa. Iludidos ficamos e, às vezes, chegamos a esperar por essa cena, enquanto isso a vida por trás das câmeras continua.  A vida é sutil nos detalhes, nos sinais. É preciso uma certa ingenuidade para enxergá-los. Esse encontro não tem hora marcada, talvez te encontre em uma fase desiludida em que tudo que se deseja é não manter laços com ninguém e ai ele passa direto, batido. Muitas vezes a busca é incessante e em lugares errados. É comum tornar-se escravo de uma busca motivada por uma carência que só aumenta. E cada vez se frustra mais porque  procura-se em locais em que a maioria não compartilha o mesmo interesse. Resultado: decepção. Ai quando desiste e o coração distrai, aparece. É imprevisível, sem fórmulas!
             Há quem fique repetindo um mantra de que não tem sorte no amor, que sofre de uma maldição, que apaixona todo dia pela pessoa errada... Isso não muda nada. Só tem o poder de criar ainda mais limitações ligadas a sentimentos negativos. Você não é melhor nem pior que ninguém para merecer, o que acontece é que as histórias de vida são logicamente diferentes. Não é a falta de uma característica que determina sua vida amorosa. Não se ama pelas qualidades, se fosse assim não veríamos tantas pessoas maravilhosas sozinhas. Não existe uma lógica que explique, todas as tentativas de explicações em algum momento falham desde a teoria do magnetismo à do cheiro. 
 Você não tem que encontrar o amor da sua vida até os 25, 30, 40. Pode até querer e deixar o caminho aberto para que ele apareça, mas daí se humilhar numa relação a fim de manter algo desgastado só para poder articular que não está só, apenas denota desespero. Ou trocar sua chance de encontrar algo verdadeiro por uma fachada é precipitado. Ou fazer de alguém, que não tem pretensões em continuar com você, o “solucionador dos seus problemas” é muito arriscado. Não dê esse poder a ninguém! Se essa pessoa não te quer, automaticamente, você não a quer também. Antes de resolver isso resolva o que te aflige por dentro. Não cabe a ninguém surgir para salvar sua vida dessa maneira. Pode até ser a pessoa certa, mas se você tiver essa visão não vai funcionar. Muita responsabilidade dedicada ao outro, quando isso cabe a si mesmo. Poder demais nas mãos de pessoas de menos. 

Recuse o conveniente, a acomodação e a idéia de que uma pessoa irá aparecer para te completar e acudir sua vida.  Rejeite todas essas cismas.  Renuncie viver nessa mediocridade. Enfim, o que se deseja é um amor que traga felicidade viável, não utópica e acompanhada de discernimento para enxergá-la nas simplicidades. Um pouco de audácia, de atos descabidos, atrevidos, fantasiosos e apaixonados. Uma pitada de leveza sem frustrações, atenção às casualidades e esperança em milagres. Amor sem amarras, alegrias incontidas, encontro sinceros, desejos concretos de certezas e incertezas. E no fim saber que pior que esperar e sofrer por uma pessoa, é ter um coração vazio.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

XY


Homens! Opte pelos tímidos! Com o currículo extenso de histórias e atitudes.  Isentos de promessas  e cantadas baratas.
Homens! Opte pelos inseguros! Com a pegada firme e com olhos moles. Rapaz de família, sem a obrigatoriedade de barriga de tanquinho ou beleza estilo Thor!
Homens! Opte pelos os que têm aquele jeitinho único de sorrir ou te olhar nos olhos.
Homens! Opte pelos reais!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Escravidão


            
           Em nome da carência, escravos da busca por uma alma gêmea não são alforriados. Continuam angariando histórias de senzalas. Não buscam emancipação.

           A culpa disso tudo é resumir a felicidade ao encontro desse grande amor. Pessoas cada vez mais independentes e, ao mesmo tempo, cada vez mais dependentes... de uma utopia.
            Há pressa. O corpo se entrega rápido demais à espera de um sentimento que pode nunca vir a aparecer. A promessa vira uma mercadoria vendida a céu aberto. Resultado: chibatadas que trazem o acúmulo de cicatrizes emocionais.
           Acho que sempre é hora de rever conceitos. Abandonar a pose de vítima ingênua, agir com responsabilidade e realismo. Assinar a Lei Áurea e arrebentar as correntes desse pensamento.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gentileza gera gentileza


Momento de arrumação. Abro a gaveta do meu criado- mudo e encontro entres rabiscos e desenhos uma letra de receituário médico. Essa tal letra diz uma frase:

Gentileza gera gentileza

Começo a refletir...Na teoria é lindo!Se a gentileza é um modo de agir, uma visão sobre o mundo, é muito mais do que ser apenas educado e politicamente correto. É renúncia. Significa algo mais profundo, sobre o caráter mesmo, sobre valores éticos.
A ciência tem comprovado o que o profeta Gentileza pregava.Sintetizando seus murais sob o viaduto do Gasômetro, podemos dizer "gentileza gera gentileza".Seus ensinamentos têm um grande poder e é diretamente ligado com a inteligência, elevação do bem-estar.
Sua denúncia de valores, de nosso ponto de vista cego e surdo ao lidar com outras pessoas, esse excesso de individualismo e preocupação consigo mesmo e de pouco tempo para o outro chamou atenção para a causa.
Sei que a mudança não é do dia pra noite e depende muito da nossa força de vontade até adquirir o hábito. É resistir à determinação imposta pelos nossos hábitos corridos e egoístas.

No fim, isso tudo partiu de um simples rascunho entre tantos outros. O que gerou uma grande lembrança...que até poderia não ser vista tão bem assim.Já que as ações se restringiram às palavras e nada mais que isso.Nesse caso foi fácil falar (escrever), difícil foi dar vida ao que foi escrito. Nem tudo foram flores...Posso culpar pessoas, julgar de novo os erros alheios, os autores dos meus sofrimentos.
Difícil escapar das lembranças, mais ainda é lidar com elas.Mas nesse momento, inspirada por essa grande frase, prefiro agir gentilmente com minhas lembranças e passado. Aos olhos da gentileza que gera gentileza, faço dessas palavras minha ação.


"O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta"

Gentileza, Marisa Monte

domingo, 16 de outubro de 2011

Pesadelo


Quando um muro separa, uma ponte une
Se a vingança encara, o remorso pune
Você vem, me agarra, alguém vem, me solta
Você vai na marra, ela um dia volta

E se a força é tua, ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte
Olha o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós...olha aí...


Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente...olha eu de novo. 



Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Escolheu a letra A: sofrer


            
            Acostumada a ouvir que tal pessoa sempre se apaixona pela pessoa errada ou que fulano tem dedinho podre, penso em outra coisa. Essa repetição de comportamento pode demonstrar uma escolha do inconsciente em sofrer. Seria um prazer em sofrer.
            Você deve estar discordando nesse momento, como que uma pessoa pode gostar de sofrer? Simples, viciando. Às vezes tudo que se conhece é o sofrimento, portanto acostuma-se com ele, vicia-se em sentir a intensidade emocional que ele traz. Se o normal é padecer, então busca-se por relações que possam trazer isso.
            Tantas pessoas cansadas de sofrer de verdade e outras buscando sempre isso. Talvez o que mais agrade é ser sempre a vítima e colocar a culpa nas circunstâncias.Fazendo isso, sempre terá uma platéia que faça coro às suas queixas e sempre estará em evidência pelo pior motivo: por alguém que não corresponde a seus esforços, por alguém que trate mal ou alguém distante, inalcançável. Uma busca e, ao mesmo tempo, uma fuga. Por isso que vemos tantas pessoas investindo em relações fadadas ao fracasso, em paixões cafajestes.
           No teste da felicidade, só estão marcando a primeira opção, nem dando a chance do acaso para o "mamãe mandou" e, implacavelmente, escolhendo a letra A: sofrer!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A fórmula


            Ah se um relacionamento amoroso tivesse uma fórmula matemática para dar certo, um receitinha de bolo, uma bula ou um manual de instruções, metade de nossos problemas estariam resolvidos.
            Baseado em observações diria que algumas dicas podem deixar o relacionamento mais tranquilo, digamos assim.Para início de conversa manter a individualidade é essencial. Não se afastar dos antigos amigos e mantê-los a todo custo também. Não abdicar da sua vida em função do outro é importante. Lembrar que excesso de telefonemas e a obrigatoriedade dos mesmos atrapalha. Abuso de convivência  dá vazão à brigas irracionais e estúpidas, sendo assim menos é sempre mais.  Falta de respeito (principalmente na frente de outras pessoas), traição e falta de envolvimento dificulta um tanto. Não desprezar ou mimar demais,ou seja, saber dosar homeopaticamente esses verbos. Contato com ex ou tocar nesse assunto é terminantemente proibido. Saber ceder de vez em quando traz benefícios mútuos. Ter humildade e valorizar as conquistas do outro é formidável! Ajudar o outro a superar inseguranças é nobre. Esforçar ao máximo para dar certo com a família do companheiro é divino. Manter sempre aquele amor indiscreto aceso. Não descuidar da aparência faz bem aos dois. Ser chicletinho demais é estressante. Incentivar os progressos do outro mostra cumplicidade. Reclamar sempre das roupas do outro é um saco. Inquietação demais incomoda. E acomodação em demasia também. Saiba encontrar o meio-termo. Crises de ciúmes detonam a relação, mas a indiferença também. Brigas constantes e irracionais estão dispensadas.Intimidade e reconquistas são permitidas!
          Enfim, esse é um pequeno aperitivo diante do banquete de dificuldades que um casal enfrenta e quem dera fosse fácil fazer tudo isso. Mas não custa refletir. Enfim, "ainda encontro a fórmula do amor..."



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Tempo, tempo mano velho...



“Hoje o tempo voa, amor”. Na verdade a maioria dos dias é assim... E tem horas de monotonia e tédio que ele cursa tão devagar que só conseguimos pensar em quando tiver passado. A ansiedade faz isso: põe freio no tempo fazendo ele se arrastar sem fim. No entanto, se não prestamos atenção e ficamos anestesiados, ele continua passando imperceptível.  Ou seja, o tempo muda de acordo com nossa percepção.  No fim, o tempo é apenas uma ilusão. De forma simples acontece, sem que possamos vê-lo, senti-lo ou percebê-lo.
Ocorre que nosso cérebro, todos os dias processa observações de pessoas, objetos, movimentos, nascer e pôr do sol, verificando todas as novidades e incentivando que hábitos e conceitos sejam criados ou mantidos.
A primeira vez de qualquer experiência é intensa e requer a dedicação de muitos recursos para compreender o que está acontecendo. Mas a cada vez que ocorrer uma repetição dessa experiência, o nosso cérebro deixará de processar conscientemente essa repetição, automatizando pensamentos, deletando experiências duplicadas que no final deixam de contar no saldo do dia. Por isso, no decorrer dos anos o tempo parece passar mais rápido devido essa repetição de experiências, e quanto mais idade, mais o processo é acentuado. Com a idade é normal que tudo se repita. Você conhece as mesmas pessoas, depara com os mesmos problemas e as experiências de verdade vão diminuindo, daí a sensação de que você faz aniversário cada vez mais rápido.
 Em crianças tudo é novidade e faz a mente parar para pensar e processar a informação, o que faz que o dia pareça ter sido longo. Dias longos e  cheios de novidades e anos que duram eternidades fazem parte da realidade temporal de uma criança.
Outra coisa interessante é que nos momentos em que não estamos em guerra com nossas percepções sobre o tempo, ficamos elegendo nossas melhores memórias. Estima-se que mais da metade das conversas tenham referências a eventos passados. E quando não estamos voltando ao passando, ficamos projetando o futuro, ou seja, viajando mesmo no tempo, nas memórias cristalizadas e nos projetos com mil potencialidades.
O que dá pra concluir é que enquanto ele passa “vamos viver tudo que dá pra viver, vamos nos permitir”.

"Por mais que o tempo possa parecer a passagem das horas, vão parecer curtos se pensar que nunca mais há de vê-los passar."
( Aldous Huxley )

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Melhor não saber...




           A ignorância, para a via geral de conversa, é algo depreciativo. Não ter conhecimento sobre isso ou aquilo não é bem aceito. No entanto, pensando bem ela às vezes é algo benéfico visto que certas situações é melhor não saber. Dando força ao clichê e concordando profundamente: " o que os olhos não vêem, o coração não sente". Se é assim, é melhor não saber!
            Saber detalhes extras de um passado, por exemplo. Isso só vai fazer com que uma história imutável seja remexida e muitas vezes, piorada. Então, melhor não saber.
            Saber quem relacionava anteriormente com o seu parceiro gera comparações ilógicas com essa pessoa. Como comparar pessoas tão complexas? Não tem como, cada pessoa é um conjunto de peculiaridades, de crenças, histórias, experiências e tem uma beleza que é só dela. Tentar fazer isso, consequentemente, gera insegurança. Ficar sabendo é travar uma guerra com seu cérebro e vê-lo vencer batalha após batalha ao trazer à tona um nome, uma roupa, uma característica, um curso, uma palavra, etc. É vê-lo incessantemente trazer pensamentos indesejados e remoer coisas que 1 segundo  atrás você  se proibiu de pensar. É servir como seu próprio inimigo. Então, melhor não saber!
            Saber como anda a vida de uma pessoa que resolveu seguir sem você. Apesar de desejarmos a felicidade, o bem acima de tudo desse ser, ainda assim é melhor não saber.
            Saber um segredo e não poder fazer nada diante de alguma situação. Sentir-se tão impotente não é de Deus! Então, melhor não saber.
            Saber que as pessoas nem de perto são aquilo que você pensava e decepcionar dia-a-dia. Melhor não saber!
Saber que te resumem à sua aparência, julgam por apenas um erro e te rotulam com apenas uma palavra. Melhor não saber!
Saber que café vicia, saber que comer chocolate todo dia engorda, saber que tal doença destrói sua qualidade de vida, saber que você dorme de exaustão após chorar muito, saber o final do filme antes da hora... melhor não saber!
Eu prefiro viver ignorante quanto à existência de pessoas que não têm nada a oferecer, viver ignorante quanto ao rumo do que nunca me pertenceu, desconhecer um pretérito perfeito. Prefiro o incomparável, prefiro não ser resumida a um conceito insolente. Enfim, por isso e por tantos outros motivos, é melhor não saber.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quando o amparo é a dor...

        
         Após um término doloroso, desentendimentos e rivalidades, orgulho ferido e um passado remexido, Chuck diz à Blair "Estamos nos segurando na dor porque é a única coisa que nos resta. Mas não precisamos. Temos uma escolha.” Essa cena de Gossip Girl acabou agitando meus pensamentos  e fazendo  repensar  uns acontecimentos.
         Quando somos expostos a situações indesejadas  tudo que conseguimos fazer naquele momento é nos amparar na dor. Naquele momento, estamos tão apegados com o que tínhamos que tentamos criar um elo com o passado. Mesmo que seja o pior possível, como a dor. Lendo, falando ou ouvindo é sempre deprimente.          
         Então, vamos quebrar esse elo e lembrar que sempre temos uma escolha...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Conto nada de fadas!


          
     Era uma vez uma princesa....Não! Primeiro imagine um castelo onde 3 pessoas residem: a bruxa mãe, a bruxa filha e o príncipe (que já foi pretendente da bruxa filha e por uma maldição é obrigado a viver lá).
         Você passando na porta desse castelo, encontra o príncipe e ele lhe convida para entrar. Você tem outras coisas para fazer, um caminho todo para percorrer, outros príncipes estão à sua espera, mas ele insiste tanto que você resolve entrar. Afinal, aquele sorrisinho de menino parece ser tão inofensivo...
         Você entra e todos fingem de civilizados, vestem máscaras e tomam cuidado para não mostrar a insanidade que tem.E dai você resolve fixar residência nos arredores do castelo e todo dia o príncipe te busca para visitá-los. Tudo vai bem. A convivência com as bruxas é amena e nada lhe incomoda.
         Só que certo dia,  alguns detalhes transparecem e você começa a reparar que tem algo estranho na bruxa fiha. Ela se faz de boazinha, mas tem algo que não convence.E a bruxa mãe não fica atrás e começa a aprontar com você discretamente. Mantém a pose de boa mãe bruxa só que apronta em nome do orgulho ferido da filha.  De repente, as coisas passam a não fluir tão naturalmente com o príncipe. Ele começa a ficar hesitante e parece omitir alguns fatos. Você percebe tudo isso e tenta conversar sobre o assunto, ai ele resolve contar por partes que está amaldiçoado. Como prova de amor, você decide lutar com ele. Você descobre tudo o que essas maléficas já aprontaram, o que nutre mais o desejo de vingança. Descobre das armadilhas aos venenos destilados e nem por isso sente medo.
           Noites a fio, tramando um plano perfeito e descobre que a melhor forma de lidar com aquilo é a nobreza que traz no coração. Quando tudo está pronto, o príncipe hesita em seguir adiante com o plano. Você não entende. Como ele pôde mudar de ideia tão rápido, só pode ser algum feitiço das bruxas! E pensando dessa forma, você sai escondida e enfrenta as duas. Sozinha! Você se submete a múltiplos riscos em defesa daquele ser e acaba sendo atingida por feitiços cruéis, dolorosos. Fica destruída, mas por um minuto de distração das duas você consegue se reestabelecer e levantar. Nesse momento o príncipe aparece e você imagina que sua salvação chegou. Agora está tudo bem, vai conseguir sair dessa!
           Para sua surpresa, o príncipe não faz nada. Apenas se aproxima da bruxa filha e, covardemente, pega a sua mão.Você até presencia um sorriso em seus lábios, aquele mesmo que você achou inofensivo. Enquanto isso ele fica  vendo o seu fim.
Você de repente dá um grito! Uffa, estava apenas sonhando. Só que alguma mensagem aquilo quis lhe trazer e por isso não consegue tirar aquele sonho da cabeça.
           De tanto matutar, começa a ligar alguns fatos à sua realidade. E começa a dar nome aos personagens.Tudo se encaixa perfeitamente. O príncipe da vida real diz que odeia esse seu passado de EXcentricidades, mas na verdade sempre está envolvido com ele .Você então começa a achá-lo que nem as bruxas, da mesma laia, imagem e semelhança. Lógico que o príncipe da vida real não mora com as bruxas e alguns outros detalhes, que seja!
         E ai a sensação que tem ao pensar nisso é a de entrar numa casa onde não é bem-vinda, num território inimigo.Você é que foi sempre a penetra, que foi enganada e tomou as dores. A verdade é que o circo estava armado já e só estavam à espera de um bobo da corte, ou seja, o "palhaço" do século 21!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Orgulho ferido, que nada!

           O que acontece depois de um fim de um relacionamento? Com certeza é o despertar de uma curiosidade de como o outro está. Convenhamos que nem é por solidariedade. Se por um lado queremos que o ex parceiro siga em frente e seja feliz, por outro desejamos ver que nossa ausência trouxe prejuízos porque isso alimenta nossa vaidade. Não é nada digno esse pensamento, mas é a verdade.
           Se por acaso, descobrimos que não somos tão indispensáveis quanto pensávamos e o outro busca novas companhias isso nos proporciona um enorme desgosto. E ai que o bichicho do orgulho é ferido. Indagações são feitas e no fim inseguranças aparecem.  Para confundir isso com amor é um passo. Gostava tanto, tanto... Será? Posso dizer que muitas vezes esse amor pode nem ter existido. O que confunde após o término não é um amor adormecido, mas sim o orgulho ferido.
           Humm e se é o outro que termina, queremos vingança! Queremos que seu atual relacionamento não vá pra frente. E fazemos isso na tentativa de resgatar nossa auto-estima. Aquela mesma que foi perdida no momento da sociedade do pé com a bunda.
           Há quem tente sair difamando o (a) ex, falando que perdeu seu tempo, que não sente mais nada, que sofreu nas mãos dele (dela).  Outros preferem o velho teatrinho de que encontrou outra pessoa e que está feliz. Há quem faça de tudo para transformar a nova companhia do (a) ex em um monstro qualquer, em um ser sem graça e de certo vai fazer todos os amigos repetirem que é melhor do que fulana (o). Isso é ciúme somado ao velho orgulho ferido Alguns pesquisam a vida da(o)  nova(o) namorada(o) do(a) ex e inventam milhões de defeitos, o que só evidencia o que quer esconder. Como que uma pessoa que passa seu tempo revirando a vida de outra, procurando por comparações, perdendo tempo pode dizer que não se importa com a outra? Detestar uma pessoa sem conhecer é praticamente o mesmo que adorar, gasta-se a mesma energia fazendo as duas coisas.
          E acreditem que a personalidade humana é mesquinha e vai muito além disso. Ao ponto de não bastar ser feliz; e precisar de que o outro não o seja. Em muitos momentos, nem percebemos que no meio de sentimentos nobres há sentimentos ruins enraizados e vice-versa. Se o relacionamento acabou, acabou. Do que era ruim não se guarda nem os cacos. Tenha em mente que muito se perdeu: a paixão, o tesão, o desejo...E aquelas brigas intermináveis, broncas penduradas, raivas multiplicadas, inseguranças vigilantes não sumiram do nada. Lembranças boas também existiram, mas agora são desvanecidas por um gostinho amargo.
          Agora o que não se pode permitir é que esse ciúme fique! É preciso suportar ver o que já foi seu sendo de outro. Não dá para ter a mesma postura de uma criança mimada que jogou fora seu brinquedo velho e agora vê o amiguinho brincando feliza com ele  e querer retomar. A escolha foi feita. Ponto e pronto!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sua filha...


Ela não sabe que o homem chegou à
lua.
Que a vida é uma contagem regressiva para a
morte.
Que Berlim já foi duas.
Que na Idade Média a igreja vendia lugar no
céu.
Que homens e dinossauros nunca
conviveram.
Que muitos remédios não curam, mas
viciam.
Que o voto do povo salvou Barrabás e condenou
Jesus
Que o computador foi criado para resolver
problemas que não tínhamos.
Que o sudeste alaga e o nordeste
seca.
Que sexo pode ser feito com
amor.
Que o cientista que inventou a bomba atômica
recebeu um prêmio por isso.
Que somos divididos em mundos.
Que você vai fazer de tudo para não repetir os
erros que seus pais cometeram.
Que Getúlio saiu da vida para entrar na
História.
Que esmola é  o imposto informal da injustiça
social.
Que somos julgados pela aparência e condenados
pela cor da pele.
Que o homem ainda não decidiu se veio do
macaco ou de Adão e Eva.
Que todo Mulçumano deve ir à Meca pelo menos
uma vez na vida.
Que quem faz aniversário no Natal não é o
Papai Noel.
Que o cinema foi mudo.
Que existe AIDS.
Que não tem cura.
E agora? Quem vai explicar? Você
ou a vida?

Obs.: Trecho da propaganda da GNT


quinta-feira, 14 de abril de 2011

O amor é rosa


Eu sou branco.
Você é vermelho.
Quando estamos juntos somos rosa.
Antes de eu conhecer você, eu não sabia o que era rosa.
Até que eu vivia bem sozinho: comia o que e na hora que eu queria;
saía na hora quando bem entendia para ir ao lugar que tinha vontade de ir, numa liberdade, independência e autosuficiência.
Quando eu vi você, fiquei vermelho de paixão e nem me incomodei com os meus brancos.
Até perceber-me que eu já não era mais o branco.
Foi quando o vermelho começou a me sufocar e então, brancamente, me protegi.
Mas às vezes eu me irritava e brigava com você.
No fundo, era porque você era vermelha e não branca igualzinho a mim.
Percebi-me em alguns variados momentos querendo mudar a sua cor.
Ainda bem que você soube permanecer-se vermelha, ter suas próprias emoções, sentimentos, comportamentos e pontos de vista. Caso contrário, você seria também branca.
Mas tive minhas reticências, pois estava acostumado ao meu ritmo e modo de vida branco.
Temi perder minha individualidade.
Mas aos poucos fui descobrindo que o branco para se transformar em rosa não é perder, desestruturar-se e desaparecer, mas é completar-se com o vermelho.
O rosa me atemorizou, mas hoje vejo quanto é gostoso conviver, relacionar-me, amar e ser amado.

Dá mais trabalho porque nem tudo pode e deve ser feito brancamente,
mas sem dúvida tudo pode ser mais gostoso e rico com o vermelho.
Freqüentemente, um bom lanche branco não é tão agradável quanto um singelo jantar rosa.

Um mundo muito Cor de Rosa à todos....

Içami Tiba 


sexta-feira, 8 de abril de 2011

O que fica...



As palavras sempre ficam. Se me disseres que me amas, acreditarei. Mas se me escreveres que me amas, acreditarei ainda mais.
Se me falares da tua saudade, entenderei. Mas se escreveres sobre ela, eu a sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares, eu saberei. Mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor.
Lembre-se sempre do poder das palavras. Quem escreve constrói um castelo, e quem lê passa a habitá-lo.
Silvana Duboc