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terça-feira, 21 de junho de 2011

Dias sim, dias não




“Dias sim, dias não eu vou sobrevivendo sem nem um arranhão”. Acordei meio assim hoje. Remoendo e, ao mesmo tempo, desatando os nós existentes em alguns assuntos. Às vezes não é fácil chegar à conclusão de que tudo tem seu devido tempo. Muitas vezes é revoltante ouvir que tudo vai passar, para ter paciência e esperar que o tempo mostre um contexto global! Afinal, somos pessoas que visamos resultados imediatos já que existimos na era em que a correria rege nossa qualidade de vida, infelizmente em todos os âmbitos (amoroso, familiar, profissional). Olhar para o céu a procura de alguma divindade que te faça entender isso é pedir demais? É pedir demais sim. É pedir para se ver longe daquela situação que te enclausurou nessa cela de sentimentos e pensamentos ruins. É pedir mais ainda quando não depende diretamente da gente, o que é um pouco contraditório já que, independente da situação, sempre temos domínio sobre como reagir diante de tal acontecimento. Afinal, Carlos Drummond já dizia que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. E essa fase de “mascar o chiclete” do sofrimento até perder o gosto só pode ser feito unicamente por nós. Não há ninguém que possa segurar as pontas para você, justamente naquele momento mais crítico. Mas sempre tem gente reciclando o passado e nos oferendo conselhos. Dependendo dos quão obscuros estiverem nossos pensamentos, nem compreendemos que quem fala isso tem um certa razão.  Esses conselhos simples geralmente tem eficácia, mesmo assim é comum descartar após ouvir porque sempre achamos que somos superiores à situação e que temos uma maneira mais adequada para o momento.
É extremamente útil conversar e conviver com pessoas que optam por não remoer sentimentos ruins, não tentar recauchutar relacionamentos perdidos, nem tentar ter esperança de que algumas pessoas ainda possam ter salvação (conclusão do século: existe gente pior do que um dia imaginei). Enfim, conviver com pessoas que vivem só de momentos onde a vida nunca cansa. Acredito que tentar ver os acontecimentos sob essa ótica é imensamente proveitoso. Abandonar aquela visão sombria e perceber que aquilo só existe quando você pensa, quando você dá dimensão para o problema. E quando menos você dá vazão para essa memória, melhor. Quando menos você rega essa erva daninha, melhor. Mas veja bem não estou falando de ignorar os fatos, fingir que nunca vivenciou esses infortúnios. Estou falando é de deixar para lá o que não vai mais servir, renovar e renascer em si mesmo. Até porque é muito ruim ouvir as mesmas lamentações, os mesmo desabafos e etc. Não há ouvido de amigo que agüente. Muitas mágoas que povoam nossos pensamentos só existem porque recordamos. O tempo já fez apagar a memória do agressor há tempos. É o típico: só lembra quem apanha. Ou seja, para que perder tempo e energia pensando em bobagens, em pessoas que foram desagradáveis e mesquinhas, enquanto você poderia estar fazendo algo de útil pra você mesmo? A fase de pensar no outro já passou, deu bye-bye  faz tempo.  Portanto, vamos ser egoístas mesmo, nesse ponto é permitido e recomendado.
E por pior que seja a história, ela sempre teve o seu lado bom. Não há ninguém que possa mudar os momentos bons que vivemos, as lembranças boas que ficaram, os sentimentos que descobrimos. Quem somos nós para negar? O que marcou, ficou. Ponto e pronto!  Não são palavras desesperadas e venenosas de um qualquer que vão diminuir isso. Nem é um tom crítico que vai conseguir mudar os fatos. Sorry! Isso ninguém nos tira, então resta a eles a frustração. Não adianta inventar, insinuar ou contar fatos desnecessários. O passado é imutável e ninguém tira o que ficou de bom. Então, vamos saborear o que tinha um gosto bom. Vamos esquecer esse gosto amargo que permaneceu...
E vamos ser sinceros, nem sempre somos vítimas. Particularmente, assumo minha culpa muitas vezes porque soube manipular também. Tenho muita sutileza ao exercitar meu “controladorismo”, digamos assim. E no fundo sabia o que acontecia do outro lado e de coitada nunca tive nada. Fato!
Sendo assim, posso viver mil anos que isso ficará guardado naquele espaço e tempo de forma única. E como tudo é relativo, muitas vezes o que hoje é definitivo amanhã pode não ser, nem convém achar que tudo fica restrito a um pretérito perfeito. Somos humanos, vulgo seres imperfeitos, nossas ações refletem isso o tempo todo. Então, vamos deixar uma lacuna aberta para esse pretérito imperfeito.  O futuro está ai para isso: surpreender quando achamos que perdemos essa capacidade. E aproveitando a deixa, fica o recado: vou sobrevivendo sem nem um arranhão...

1 comentários:

Alê disse...

Como diria Caio: a gente sempre pode enfeitar a amargura,


beijos