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sábado, 15 de outubro de 2011

Definitivo




Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Escolheu a letra A: sofrer


            
            Acostumada a ouvir que tal pessoa sempre se apaixona pela pessoa errada ou que fulano tem dedinho podre, penso em outra coisa. Essa repetição de comportamento pode demonstrar uma escolha do inconsciente em sofrer. Seria um prazer em sofrer.
            Você deve estar discordando nesse momento, como que uma pessoa pode gostar de sofrer? Simples, viciando. Às vezes tudo que se conhece é o sofrimento, portanto acostuma-se com ele, vicia-se em sentir a intensidade emocional que ele traz. Se o normal é padecer, então busca-se por relações que possam trazer isso.
            Tantas pessoas cansadas de sofrer de verdade e outras buscando sempre isso. Talvez o que mais agrade é ser sempre a vítima e colocar a culpa nas circunstâncias.Fazendo isso, sempre terá uma platéia que faça coro às suas queixas e sempre estará em evidência pelo pior motivo: por alguém que não corresponde a seus esforços, por alguém que trate mal ou alguém distante, inalcançável. Uma busca e, ao mesmo tempo, uma fuga. Por isso que vemos tantas pessoas investindo em relações fadadas ao fracasso, em paixões cafajestes.
           No teste da felicidade, só estão marcando a primeira opção, nem dando a chance do acaso para o "mamãe mandou" e, implacavelmente, escolhendo a letra A: sofrer!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A fórmula


            Ah se um relacionamento amoroso tivesse uma fórmula matemática para dar certo, um receitinha de bolo, uma bula ou um manual de instruções, metade de nossos problemas estariam resolvidos.
            Baseado em observações diria que algumas dicas podem deixar o relacionamento mais tranquilo, digamos assim.Para início de conversa manter a individualidade é essencial. Não se afastar dos antigos amigos e mantê-los a todo custo também. Não abdicar da sua vida em função do outro é importante. Lembrar que excesso de telefonemas e a obrigatoriedade dos mesmos atrapalha. Abuso de convivência  dá vazão à brigas irracionais e estúpidas, sendo assim menos é sempre mais.  Falta de respeito (principalmente na frente de outras pessoas), traição e falta de envolvimento dificulta um tanto. Não desprezar ou mimar demais,ou seja, saber dosar homeopaticamente esses verbos. Contato com ex ou tocar nesse assunto é terminantemente proibido. Saber ceder de vez em quando traz benefícios mútuos. Ter humildade e valorizar as conquistas do outro é formidável! Ajudar o outro a superar inseguranças é nobre. Esforçar ao máximo para dar certo com a família do companheiro é divino. Manter sempre aquele amor indiscreto aceso. Não descuidar da aparência faz bem aos dois. Ser chicletinho demais é estressante. Incentivar os progressos do outro mostra cumplicidade. Reclamar sempre das roupas do outro é um saco. Inquietação demais incomoda. E acomodação em demasia também. Saiba encontrar o meio-termo. Crises de ciúmes detonam a relação, mas a indiferença também. Brigas constantes e irracionais estão dispensadas.Intimidade e reconquistas são permitidas!
          Enfim, esse é um pequeno aperitivo diante do banquete de dificuldades que um casal enfrenta e quem dera fosse fácil fazer tudo isso. Mas não custa refletir. Enfim, "ainda encontro a fórmula do amor..."