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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Tempo, tempo mano velho...



“Hoje o tempo voa, amor”. Na verdade a maioria dos dias é assim... E tem horas de monotonia e tédio que ele cursa tão devagar que só conseguimos pensar em quando tiver passado. A ansiedade faz isso: põe freio no tempo fazendo ele se arrastar sem fim. No entanto, se não prestamos atenção e ficamos anestesiados, ele continua passando imperceptível.  Ou seja, o tempo muda de acordo com nossa percepção.  No fim, o tempo é apenas uma ilusão. De forma simples acontece, sem que possamos vê-lo, senti-lo ou percebê-lo.
Ocorre que nosso cérebro, todos os dias processa observações de pessoas, objetos, movimentos, nascer e pôr do sol, verificando todas as novidades e incentivando que hábitos e conceitos sejam criados ou mantidos.
A primeira vez de qualquer experiência é intensa e requer a dedicação de muitos recursos para compreender o que está acontecendo. Mas a cada vez que ocorrer uma repetição dessa experiência, o nosso cérebro deixará de processar conscientemente essa repetição, automatizando pensamentos, deletando experiências duplicadas que no final deixam de contar no saldo do dia. Por isso, no decorrer dos anos o tempo parece passar mais rápido devido essa repetição de experiências, e quanto mais idade, mais o processo é acentuado. Com a idade é normal que tudo se repita. Você conhece as mesmas pessoas, depara com os mesmos problemas e as experiências de verdade vão diminuindo, daí a sensação de que você faz aniversário cada vez mais rápido.
 Em crianças tudo é novidade e faz a mente parar para pensar e processar a informação, o que faz que o dia pareça ter sido longo. Dias longos e  cheios de novidades e anos que duram eternidades fazem parte da realidade temporal de uma criança.
Outra coisa interessante é que nos momentos em que não estamos em guerra com nossas percepções sobre o tempo, ficamos elegendo nossas melhores memórias. Estima-se que mais da metade das conversas tenham referências a eventos passados. E quando não estamos voltando ao passando, ficamos projetando o futuro, ou seja, viajando mesmo no tempo, nas memórias cristalizadas e nos projetos com mil potencialidades.
O que dá pra concluir é que enquanto ele passa “vamos viver tudo que dá pra viver, vamos nos permitir”.

"Por mais que o tempo possa parecer a passagem das horas, vão parecer curtos se pensar que nunca mais há de vê-los passar."
( Aldous Huxley )

domingo, 14 de agosto de 2011

Vertical, cinza e impessoal




Vertical.
Cinza.
Impessoal.
Essa é a visão que tenho de um domingo de garoa, solitário e sem distrações. Milhas e milhas distante de um aconchegante e caloroso lar. E tudo que  parece importar nesse momento é que todo mundo é uma ilha, como já dizia Humberto Gessinger.
Ilhas verticais, cinzas e impessoais.
Não há troca, não há diálogos, não há calor humano. Tudo o que me resta são inúmeros prédios, um céu nublado e vizinhos que ainda não conheço (e talvez nunca conheça mesmo).
Ou coloro esses rascunhos ou me entrego ao vertical, cinza e impessoal. Enquanto isso, olhar a chuva me basta...



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Dance...

Ai, esse nosso apego a tudo que ficou para trás é intrigante. Quando uma relação termina temos que aprender a lidar com a coreografia das ausências e, ao mesmo tempo, com a falta de perspectiva para novas apresentações.  Pior quando a vida nos coloca na ponta dos pés e nos cobra um desprendimento do que ficou. Ai tudo fica tenso e todos aqueles movimentos deslizantes desaparecem, visto que nosso apego era forte com as vibrações  que aquela  pessoa nos trazia e mais ainda com o espetáculo de vida que tínhamos. Por mais que queiramos nos desprender é mais fácil o contrário. Isso porque bate um desânimo em enfrentar uma nova fase de solidão nos ensaios  e começar outra vez todo aquele alongamento. De certa forma é  tão mais fácil continuar o que tínhamos, continuar os passos hipnotizantes e fascinantes que sabíamos.
Simples. Queríamos apenas nos encolher e guardar a lembrancinha da época boa que vivemos, guardar aquela sensação, aquela melodia. Queríamos de volta o que tínhamos, a alegria que esbanjávamos, a energia que nos impulsionava, o ritmo que nos eletrizava. Mesmo assim sabemos que é preciso nos livrar da confusão que os rodopios da dor nos causaram, lembrar que aquele par (aquele mesmo) não é mais envolvente. Lembrar que o mundo continuou seu ciclo, seus ensaios e shows. As pessoas continuaram suas rotinas, o sol não se apagou, as flores desabrocharam, as crianças seguiram para o circo... O mundo não parou seu compasso para fazer nosso cenário de dor e nem nossa trilha melancólica. E no fim, só dói quando desejamos nos inclinar, ou seja quando pensamos, quando ficamos lembrando e remoendo.Só dói quando cutucamos nossos calos . Então decidimos não mexer e seguir a dança, sem nos apegar demais ao par e ao baile de ontem. Afinal, todo dia tem uma dança nova. E  quer saber, ultimamente andamos mais para balada onde se dança só!